Horas roxas

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As bonitas tonalidades do céu de Fortaleza

2–3 minutos
Horas roxas

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As bonitas tonalidades do céu de Fortaleza

2–3 minutos
Horas roxas

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As bonitas tonalidades do céu de Fortaleza

2–3 minutos
Horas roxas

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As bonitas tonalidades do céu de Fortaleza

2–3 minutos

Existe uma época do ano, em um horário muito específico, que o céu de Fortaleza ganha uma outra tonalidade. Acontece sempre antes do pôr do sol, lá pelas cinco da tarde, e na temporada que sucede às chuvas. Nesses dias e nessas horas, o céu não fica só azul. Há horas vermelhas, há horas amarelas, e há horas roxas, as mais bonitas de todas. “O céu de Fortaleza é diferente”. Foi o que uma querida professora me disse uma vez. Ela não nasceu lá, mas escolheu ficar. 

Um dia, voltando de uma cobertura jornalística, ela olhou o céu a caminho do hotel onde se hospedava. Disse que achou lindo demais, porque tinha uma cor totalmente diferente de qualquer outro lugar. Quando eu ainda era estudante de jornalismo, essa professora apresentou para a nossa turma o filme “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho. Múltiplas histórias são encenadas em pouco mais de uma hora nesse filme, mas sempre fica marcada a fábula, verídica ou não, de uma mulher que desestabiliza o público ao perguntar: “você já olhou para o céu hoje ?” Desde então, nunca mais deixei de reparar nas horas em que o céu de Fortaleza muda.

Ele fica mais bonito nas horas roxas. Talvez nem seja uma hora exata, mas um instante em que o céu fica suavemente mais roxo. Um místico tom de lilás como o das velas do Advento católico, anunciando previamente o encontro do Sol com o mar no horizonte. A ciência, por sua vez, classifica esse momento como um “fenômeno” e atribui às partículas microscópicas presentes na atmosfera a coloração distinta nessas horas que antecedem o ocaso.

As horas roxas são as horas do caos. É nas horas roxas que o metrô lota, e os ônibus também, sufocando os passageiros em trânsito ansiosos pela chegada, seja ela onde for. É nas horas roxas que os engarrafamentos acontecem, paralisando até mesmo os transeuntes dessa cidade claustrofóbica cercada pelo oceano de um lado e por montanhas de outro. Nas horas roxas, há um único segundo, em meio ao caos, em que impera o silêncio. Nesse segundo, tudo parece parar. Nessas horas, quem olha para o céu de Fortaleza vê o quão bonito ele é. 

Nas horas roxas, eu penso o quão bom seria estar com uma alma-gêmea ao seu lado. Não necessariamente um amante apaixonado, muito menos uma amizade longeva. Uma alma-gêmea é alguém com quem se pode deitar na grama durante o exato segundo de silêncio nas horas roxas. E sem quaisquer palavras, a presença supera a própria existência. Porque sua alma-gêmea está lá. 

Há algumas semanas, minha professora recebeu o título de cidadã honorária de Fortaleza, por ter escolhido ficar onde o céu é hora azul, hora vermelho, hora laranja, hora roxo. Certamente, ela encontrou quem acha esse céu diferente mais bonito também nas horas roxas. Talvez seja isso que signifique amar. Travessia.

Existe uma época do ano, em um horário muito específico, que o céu de Fortaleza ganha uma outra tonalidade. Acontece sempre antes do pôr do sol, lá pelas cinco da tarde, e na temporada que sucede às chuvas. Nesses dias e nessas horas, o céu não fica só azul. Há horas vermelhas, há horas amarelas, e há horas roxas, as mais bonitas de todas. “O céu de Fortaleza é diferente”. Foi o que uma querida professora me disse uma vez. Ela não nasceu lá, mas escolheu ficar. 

Um dia, voltando de uma cobertura jornalística, ela olhou o céu a caminho do hotel onde se hospedava. Disse que achou lindo demais, porque tinha uma cor totalmente diferente de qualquer outro lugar. Quando eu ainda era estudante de jornalismo, essa professora apresentou para a nossa turma o filme “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho. Múltiplas histórias são encenadas em pouco mais de uma hora nesse filme, mas sempre fica marcada a fábula, verídica ou não, de uma mulher que desestabiliza o público ao perguntar: “você já olhou para o céu hoje ?” Desde então, nunca mais deixei de reparar nas horas em que o céu de Fortaleza muda.

Ele fica mais bonito nas horas roxas. Talvez nem seja uma hora exata, mas um instante em que o céu fica suavemente mais roxo. Um místico tom de lilás como o das velas do Advento católico, anunciando previamente o encontro do Sol com o mar no horizonte. A ciência, por sua vez, classifica esse momento como um “fenômeno” e atribui às partículas microscópicas presentes na atmosfera a coloração distinta nessas horas que antecedem o ocaso.

As horas roxas são as horas do caos. É nas horas roxas que o metrô lota, e os ônibus também, sufocando os passageiros em trânsito ansiosos pela chegada, seja ela onde for. É nas horas roxas que os engarrafamentos acontecem, paralisando até mesmo os transeuntes dessa cidade claustrofóbica cercada pelo oceano de um lado e por montanhas de outro. Nas horas roxas, há um único segundo, em meio ao caos, em que impera o silêncio. Nesse segundo, tudo parece parar. Nessas horas, quem olha para o céu de Fortaleza vê o quão bonito ele é. 

Nas horas roxas, eu penso o quão bom seria estar com uma alma-gêmea ao seu lado. Não necessariamente um amante apaixonado, muito menos uma amizade longeva. Uma alma-gêmea é alguém com quem se pode deitar na grama durante o exato segundo de silêncio nas horas roxas. E sem quaisquer palavras, a presença supera a própria existência. Porque sua alma-gêmea está lá. 

Há algumas semanas, minha professora recebeu o título de cidadã honorária de Fortaleza, por ter escolhido ficar onde o céu é hora azul, hora vermelho, hora laranja, hora roxo. Certamente, ela encontrou quem acha esse céu diferente mais bonito também nas horas roxas. Talvez seja isso que signifique amar. Travessia.

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